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Dinheiro me traz felicidade?

Esse texto vai ser mais um fluxo de pensamento e reflex√£o que qualquer outra coisa. Nada aqui tem a pretens√£o de seguir um fio l√≥gico/racional ou "solucionar" quaisquer problemas que eu esteja tendo. √Č mais um desabafo e uma tentativa de expressar em palavras o que eu venho pensando.

Meu primeiro emprego

No final de 2021 eu consegui meu primeiro emprego. Fui professor de Python durante alguns meses, de dezembro de 2021 at√© mar√ßo de 2022. Foi um per√≠odo interessante, e uma √≥tima experi√™ncia. As raz√Ķes que me levaram a sair da empresa s√£o algumas e talvez mere√ßam sua pr√≥pria postagem.

Mas o foco aqui não é o emprego em si, mas sim uma consequência direta de estar empregado: receber um salário.

Eu não consigo descrever a felicidade (ou seria êxtase?) que eu senti quando abri minha conta e lá estavam singelos 1200 reais. Eu trabalhava como MEI e estava em treinamento, então a quantia não era exorbitante. Mas ainda assim, eu nunca tive tanto dinheiro na minha conta antes. E mais: dinheiro que era só meu. Sem ser algo que meus pais me deram ou algo do tipo. Eu ganhei aquilo. E eu podia fazer o que quisesse com ele.

O primeiro salário acabou... rápido. Um jovem com dinheiro na conta e muitos desejos de consumo não satisfeitos faz maravilhas em alguns dias. Comprei presentes, comprei coisas pra mim, saí pra comer com minha companheira por puro capricho. Só parei quando o dinheiro acabou.

Mas mal sabia eu o que estava por vir.

O segundo sal√°rio

Ok, eu sabia que eventualmente o segundo sal√°rio viria. Mas n√£o √© o segundo sal√°rio em si de que t√ī falando.

Quando eu recebi o PIX da empresa eu n√£o pudia acreditar. Eu abri minha conta pra conferir. Era real. Eu agora tinha mais de dois mil reais na conta.

E se antes eu comprei até o que não podia... as coisas escalaram um pouco.

Eu gastei mais da metade do dinheiro em pouco mais de uma semana. Mais presentes aqui e ali, mais saídas pra lugares um tanto mais caros do que deveriam ser, mais compras. Eu lembro quando percebi o quanto tinha gasto num período tão curto de tempo. Fiquei preocupado, mas não o suficiente pra parar (afinal, ainda assim era MUITO dinheiro na minha perpectiva).

O terceiro salário foi bem parecido, com a diferença de que eu já tinha voltado às aulas presenciais e, portanto, tinha muitas mais maneiras de gastar meu dinheiro no dia-a-dia. E é aí que mora o perigo.

O fim da festa

Conforme comentei mais acima, eu sa√≠ do emprego em mar√ßo, por uma s√©rie de raz√Ķes. O que signfica que, uma vez que aquele sal√°rio na conta se foi, eu n√£o tinha mais de onde tirar dinheiro. E a√≠ coisas come√ßaram a acontecer.

Como assim meu dinheiro acabou?!

...foi o que eu pensei quando, ao comprar um delicioso Trento torta de lim√£o na faculdade, percebi que minha conta estava igual a antes de conseguir um emprego: vazia, fora alguns poucos reais. E a√≠ olhei o hist√≥rico de transa√ß√Ķes, incr√©dulo.

Pizzaria, presente, besteiras do dia-a-dia... nada extravagante. Ao menos n√£o individualmente. O problema √© que eram muitas transa√ß√Ķes. E, lendo cada uma, eu percebi que me lembrava de todas, ou seja: todo aquele gasto de dinheiro foi deliberado, consciente.

E aí começou um processo muito difícil de aceitar que eu fui extremamente consumista e irresponsável com meu próprio dinheiro. E se eu precisasse pra alguma emergência? Esse e outros questionamentos começaram a me pairar pela cabeça.

O pr√≥ximo m√™s seguiu como antes: recebo uma mesada do meu pai, gasto quase tudo pagando a psic√≥loga e necessidades b√°sicas (alimenta√ß√£o, transporte p√ļblico) e o pouquinho que sobra uso pra mim.

Eu era mais feliz com dinheiro?

E chegamos ao cerne da questão. Desde que eu deixei de ter um salário estável, comecei a sentir tanto estresse com relação a dinheiro! Acontece que agora qualquer saidinha pra comer que custe 20 reais por pessoa (40 comigo e minha companheira) é uma facada imensa.

Eu gostava muito de ter dinheiro porque podia fazer esse tipo de coisa com uma certa frequência, sem ter que me arrepender a cada mordida. Disso eu tenho saudade. Também queria conseguir comprar as coisas que eu quero: um fone novo, um Raspbery Pi, um domínio, um ThinkPad. E eu não consigo fazer isso agora, e não vou conseguir por algum tempo.

Mas ao mesmo tempo, o ritmo em que eu gastei meus salários foi absurdo. Definitivamente não pode se repetir para as próximas vezes, especialmente considerando um futuro (não tão) distante em que eu precise do dinheiro pra me manter sozinho. E não ter mais dinheiro me impulsiona a tentar viver os dias com menos. Até agora tem funcionado... mais ou menos.

Tenho muito pouco dinheiro na conta, mas em compensação tenho desenvolvido hábitos pra gastar menos, como levar comida de casa pra evitar ficar gastando na faculdade.

Então pra responder a pergunta desse tópico: eu definitivamente tinha mais poder quanto tinha dinheiro. Podia fazer mais coisas, ajudar mais pessoas. Isso eu espero recuperar.

Mas a sensação de gastar tudo tão rápido me deixava bem chateado. Me fazia sentir mal, muito mal. Pelo menos não tenho mais ela agora...

Além disso, um detalhe é que tudo que eu planejava comprar conforme comentei acima eu não consegui. Nem uma das coisas, apesar de ter o dinheiro pra tal! Ou seja, atrasei minhas metas sem necessidade alguma.

Meus próximos passos

Essa é fácil:

  • conseguir um est√°gio
  • comprar meu ThinkPad (+ o que der)
  • aplicar as li√ß√Ķes que aprendi pra enconomizar dinheiro
  • lucro (ser√°?)

#reflex√£o #pessoal

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